quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A CASA DO VELHO


























Que nojo eu sentia daquele velho purulento das cabeças-de-cogumelo brotando das axilas. Que nojo eu sentia daquele velho do saco vermelho sujo cheio de pirulitos, sacando do bolso puído uma moeda-convite. A criança aceitava ir à casa dele para brincar de ser gente grande com outras crianças, ele nunca participava, apenas observava e mandava. Menina virava piranha e apontava o seu escolhido. Um namorado só por aquele dia, minha prima uma vez, depois de uma dessas festinhas, voltou para a casa chorando se sentindo vagabunda - e era mesmo, eu concordava. Menina esperta ia até lá, botava a moeda no bolso e no máximo permitia beijinhos em locais inocentes sem tirar a calcinha e nunca com as pernas abertas. Os garotos bonitos de olhos azuis sempre conseguiam algo mais. Os não tão bonitos, mas espertos o suficiente para encher os bolsos de pirulitos de uva roubados, também. Como eu disse anteriormente, era uma escolinha de piranha aquele cabaré infantil do velho nojento.



Ükma.

2 comentários:

MARCELO FARIAS disse...

Que "catecismo"!...

ükma disse...

rs
Legal, gostei da imagem!
beijosss